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Poeta, Escritora, Copywriting e Conteúdos

Publicação Independente: Tomar nas Minhas Mãos o Destino das Minhas Palavras

Foto do escritor: Sandra Medeira
Sandra Medeira
12 de set.
4 min de leitura

Publicar um livro é um momento extraordinário. Depois de meses — ou, por vezes, anos — a escrever, rever e questionar cada palavra, chega o momento em que o manuscrito tem de deixar a segurança do nosso computador e encontrar o seu lugar no mundo.


Já vivi esse percurso enquanto autora publicada. E, ao longo do caminho, descobri algo importante: escrever um livro e publicar um livro são duas coisas muito diferentes.


Foi essa descoberta que me levou a explorar a publicação independente.


O que significa publicar de forma independente?

A publicação independente é, por vezes, descrita simplesmente como autopublicação. Mas acredito que há muito mais para além disso.

Não significa necessariamente fazer tudo sozinha. Um autor independente pode trabalhar com editores, revisores, designers, ilustradores, gráficas e serviços de distribuição. A diferença está em quem toma as decisões.


O autor.


Desde a capa e o design do interior do livro ao preço, à data de publicação e à estratégia de distribuição, a publicação independente permite aos autores ter um controlo muito maior sobre a forma como a sua obra chega aos leitores.

Essa liberdade é entusiasmante.


Mas implica também responsabilidade.


Um livro é mais do que um manuscrito

Enquanto autores, passamos grande parte do nosso tempo a pensar em palavras.


Na poesia, em particular, uma única palavra pode ter uma enorme importância. Pensamos no ritmo, nas imagens, no silêncio, nas quebras de verso e no peso emocional de uma expressão.


Depois, o manuscrito fica concluído e surge todo um vocabulário diferente.


ISBN.

Metadados.

Impressão mediante pedido.

Formato do livro.

Distribuição.

Descontos para livrarias.

Disponibilidade nos pontos de venda.


De repente, ser autor significa também aprender um pouco sobre o negócio editorial.


Inicialmente, estas questões práticas podem parecer muito distantes da escrita. Mas, aos poucos, comecei a vê-las de outra forma.

Também elas fazem parte da viagem de um livro.


A questão do controlo

Um dos aspetos da publicação independente que mais me atrai é o controlo criativo.


Um livro é profundamente pessoal. O título, a capa, a tipografia e o seu próprio aspeto físico contribuem para a forma como o leitor o experiencia.


Na publicação independente, o autor pode participar diretamente nessas decisões.

Existe também um maior controlo sobre os prazos. Em vez de adaptar o livro ao calendário de uma editora, o autor pode decidir quando considera que o manuscrito está pronto e quando pretende que o livro seja publicado.


O mesmo se aplica ao preço, aos diferentes formatos e a futuras edições.


Isso não significa que todas as decisões sejam fáceis. Muito pelo contrário. A liberdade implica fazer escolhas — e assumir a responsabilidade por elas.


Mas há algo de verdadeiramente estimulante em compreender essas escolhas.


Publicar não é o mesmo que distribuir

Talvez uma das coisas mais importantes que aprendi seja que disponibilizar um livro não é o mesmo que torná-lo visível.


Hoje em dia, é relativamente fácil carregar um manuscrito numa plataforma de publicação e disponibilizar um livro online.


Mas será que os leitores o vão encontrar?

As livrarias poderão encomendá-lo?

Poderá chegar a leitores fora do país do autor?

O que acontece depois da publicação?


Estas questões tornaram-se cada vez mais importantes para mim.


É por isso que tenho vindo a explorar diferentes possibilidades de impressão mediante pedido e distribuição internacional, incluindo serviços que permitem que livros publicados de forma independente sejam disponibilizados através de redes mais alargadas de venda de livros.


Para mim, uma verdadeira independência não consiste simplesmente em carregar num botão que diz «Publicar». Consiste em compreender o que acontece a seguir.


O autor torna-se também empreendedor

Há ainda outro lado da publicação independente sobre o qual, por vezes, os autores hesitam em falar: o negócio.


Um livro é uma obra criativa, mas, a partir do momento em que entra no mercado, torna-se também um produto.


Isso significa pensar nos custos de produção, no preço, na distribuição, na promoção e no posicionamento.


Para quem ama escrever, esta mudança de perspetiva pode parecer estranha.


Mas não acredito que o lado comercial diminua o lado artístico.


Um autor pode preocupar-se profundamente com a poesia e, ao mesmo tempo, querer compreender como os livros são vendidos.

Podemos preservar a integridade do nosso trabalho enquanto aprendemos a promovê-lo.


Na verdade, compreender o negócio editorial pode dar aos autores uma maior autonomia na gestão das suas carreiras.


Independência não significa estar sozinho

Talvez este seja um dos maiores equívocos em torno da publicação independente.


Ser independente não significa recusar ajuda.

Muito pelo contrário.


Um livro independente produzido de forma profissional pode envolver várias pessoas: um editor que questiona e desafia o manuscrito, um revisor que encontra aquilo que todos os outros deixaram escapar, um designer que compreende a identidade visual da obra e parceiros de distribuição que ajudam o livro a chegar mais longe do que o círculo imediato do autor.

Independência não é isolamento.


É escolha.


Significa decidir com quem queremos trabalhar, de que serviços precisamos e que direção queremos dar ao nosso livro.


Um novo capítulo no meu percurso enquanto autora

Continuo a explorar a publicação independente e a descobrir as possibilidades que oferece.

Há muitas decisões pela frente: produção, distribuição, formatos, preços e, talvez o mais importante, encontrar um caminho editorial que permita que o meu trabalho chegue aos leitores, mantendo-se simultaneamente fiel àquilo que pretendo que cada livro seja.


Ainda não tenho todas as respostas.


E talvez seja precisamente por isso que quis escrever sobre este tema agora, em vez de esperar pelo final desta viagem.


Para mim, escrever sempre foi um processo de descoberta. Começamos com uma imagem, um sentimento ou algumas palavras sem sabermos necessariamente onde nos irão levar.


Talvez publicar possa funcionar da mesma forma.


A publicação independente representa outra possibilidade: assumir uma maior responsabilidade pelo meu trabalho, compreender o mundo em que os meus livros entram e ter uma voz mais ativa nas decisões que irão moldar o seu futuro.


Porque escrever o último verso pode significar terminar o manuscrito.


Mas não significa terminar a história.


É autor e está a considerar a publicação independente?

Gostaria muito de conhecer aquilo que tem descoberto ao longo desse percurso — e saber o que significa, para si, ser um autor independente.


Descubra mais sobre os meus livros, a minha poesia e a minha escrita em sandra-medeira.com.

 
 
 

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